miércoles, 15 de agosto de 2012

Viver na Terra

O fotógrafo argentino Andy Goldstein percorreu 14 países da América Latina (Brasil incluído) para retratar a vida nos assentamentos e nas áreas pobres da região.
A série, intitulada Vivir en la Tierra (Viver na Terra), reúne 67 fotografias que sintetizam a realidade de mais de 174 milhões de pessoas que, segundo a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), vivem em condições de extrema pobreza e exclusão social no continente.
Segundo Goldstein, ao ver as fotos de diferentes locais no continente, é quase impossível distinguir em que países foram tiradas. "A pobreza é uma só", diz o artista.
Goldstein conta que criou uma série de regras para ajudar seus modelos a "assumir a importância do ato de posar": convidou-os a "posar para um livro de fotos" e deixou que escolhessem onde, como e quando. Ao fotógrafo coube escolher o ponto de vista, "o que me permitiu mostrar o contexto", diz ele.
O artista conta que buscou "um olhar incisivo, mas respeitoso e não intervencionista" sobre uma realidade em cujo centro sempre há um ser humano "de grande dignidade, apesar de sua pobreza".
As fotos podem ser vistas em uma mostra itinerante, que atualmente está na Cidade do México e vai percorrer várias cidades latino-americanas.


O fotógrafo argentino Andy Goldstein percorreu 14 países da América Latina para retratar a vida dos pobres na região. A imagem mostra Pedro, cerca de 40 anos, em Buenos Aires. “Fui buscar meu filho mais novo para a foto, mas ele estava dormindo, então trouxe o filho da minha vizinha”, disse, ao posar para a foto.


A doméstica Débora de Jesus da Silva, moradora de São Paulo, tem 28 anos e está desempregada. Na foto, ela aparece com os filhos. O menor tinha um ano e 11 meses à época da foto. A maior, nove. Segundo Goldstein, ao ver as fotos de diferentes locais no continente, é quase impossível saber onde foram tiradas. “A pobreza é uma só.” 


A série, intitulada Vivir en la Tierra (Viver na Terra), reúne 67 fotografias que sintetizam a realidade das mais de 174 milhões de pessoas que, segundo a Cepal, vivem em condições de extrema pobreza e exclusão social no continente. Uma delas é a dona de casa Patricia Vega, 35 anos, moradora de Las Lomas, em Santiago do Chile, fotografada com os três filhos e o cão, León. 


A imagem mostra um vendedor ambulante colombiano e seus quatro filhos. O homem, de 42 anos, apresentou-se apenas como “Efraín” e não quis dar seu nome verdadeiro. Ele disse estar ameaçado de morte pelos cartéis de drogas da Colômbia por negar-se a colaborar.


Em La Carpio, na Costa Rica, Goldstein encontrou Josefa Amalia Torre Chavarría, uma imigrante nicaraguense de 78 anos. Ela diz que sobrevive com a ajuda de seus três filhos. “Essa revolução (sandinista) nos tirou de nosso país”, disse. “Tínhamos tudo, e até a casinha desapareceu.” 


Carmen Lucrecia Yunga posou para a foto em Cuenca, no Equador, apenas 12 dias após dar à luz Manuel. Ela ficou na cama por 40 dias, alimentando-se apenas com caldo de galinha caipira, como é o costume dos camponeses da região.


Esta imagem foi feita em La Cuchilla, em El Salvador. O fotógrafo diz que o projeto atual foi inspirado em uma série anterior, de 1985, intitulada “Gente en su Casa”.


Goldstein conta que criou uma série de regras para ajudar seus modelos a “assumir a importância do ato de posar”: convidou-os a “posar para um livro de fotos” e deixou que escolhessem onde, como e quando. Ao fotógrafo coube escolher o ponto de vista, “o que me permitiu mostrar o contexto”, diz. Esta foto foi feita em Los Limones, na Guatemala.


O projeto exigiu dois anos de trabalho de campo, com apoio financeiro da Fundação Ford e acesso a assentamentos onde a Fundação Un Techo para mi País realiza trabalho humanitário. Entre eles o de Canaan, no Haiti, onde a vendedora Marie Erline Louis, de 18 anos, vive com seu filho, Frederic Fredelanole, desde que um terremoto devastou o país, em janeiro de 2010. 


O assentamento Mirador, em Honduras, é lar para o segurança desempregado Juan Andrés Matamoros Girón, sua mulher, Santos Belarmina Rosales, que é faxineira em um hospital, e os filhos do casal.


O bairro de San Juan Tapecoculco, no México, foi o cenário escolhido para retratar a dona de casa Yesenia Campos Arenas e o auxiliar de construção e mecânica Tanislao Flores Moisen. “Gosto de colecionar bonecos. Meus favoritos são os Teletubbies. Coloco em cima da TV, onde as crianças não podem alcançar”, diz o homem


José Natanael, de 18 anos, cuida dos irmãos, Ferdi, Oscar e Misael, enquanto seu pai trabalha em uma construção e sua mãe lava roupas. A família vive na capital da Nicarágua, Manágua.


A dona de casa Lima Morales Espinoza e o marido, Juan Carlos Cárcamo Briceño, empregado da indústria têxtil, mandam a filha estudar. Harumi está no quarto ano do ensino primário e também aprende inglês. A família vive em El Arenal, um assentamento precário na capital do Peru, Lima.


O agricultor Papai, de 81 anos, vive na República Dominicana com a ajuda dos filhos, que lhe dão comida e remédios. “Tenho que colocar latas para colher as goteiras”, reclama. O fotógrafo Goldstein diz que uma das conclusões do projeto é que “a profunda injustiça que as imagens evidenciam mancha as sociedades que permitem que isso ocorra”.

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